quarta-feira, 4 de novembro de 2009



Jesus Cristo é um galinha mesmo

Nunca fui uma menina carola. Fui criada em um lar cristão mas nunca demonstrei o menor entusiasmo para frequentar missas, rezar, comungar, confessar ou ler a bíblia. Até hoje, admito, tenho dificuldades atrozes em aceitar serenamente a existência do Todo Poderoso. Se Deus realmente existe porque aconteceu o Holocausto? Porque nasceram José Sarney, Dado Dolabella e Marcelinho Carioca? Pra mim, estes permanecem mistérios absolutamente insondáveis. Mesmo sendo praticamente uma ateia, não pude deixar de me indignar com o anúncio imundo que analiso hoje. Quem assina esta nojeira é a mundialmente famosa PETA, uma das mais atuantes e radicais organizações de defesa dos direitos dos animais. Uma galinha morta, depenada, meio ensanguentada e iluminada dramaticamente, flutua sobre um fundo escuro em pose idêntica àquela em que Jesus morreu na cruz. O texto diz que: antes de morrer a ave foi golpeada, humilhada, queimada, maltratada e agonizou por horas. Nós podemos mudar a história se reagirmos a tempo. Pense antes de comer galinha. É até legítimo pedir às pessoas que não comam galinha sob a alegação de que a ave foi abatida de forma excessivamente violenta. Mas violência desmedida mesmo é comparar o tratamento recebido pela ave com o "pau" espetacular que Jesus tomou. É claramente um senhor exagero. De acordo com o livro sagrado cristão, o Nazareno foi selvagemente espancado, torturado e por fim crucificado no Gólgota pelos romanos. Afora as penosas caipiras que morrem tendo o pescoço torcido manualmente, as galinhas que seguem pro matadouro morrem elegantemente, à la Maria Antonieta, pelo fio de uma guilhotina. Rápida e assepticamente. Não há registro de galinhas sendo surradas, xingadas, humilhadas, queimadas, crucificadas e largadas pra agonizar por horas em matadouros. Além de estúpido isso seria um bocado contraproducente. Olha, gente, o que desespera estas organizações que pregam o não consumo de carne é o fato de que nós, humanos, descendemos de primatas carnívoros, amamos muito proteína animal e não estamos dispostos a trocar um belo bife por uma cuia de linhaça ou uma bandeja de endívias. Cada um na sua, gente. Quem sente peninha de vaca ou frango que coma folhas e faça sua fotossíntese. O resto que não tem problemas éticos e filosóficos com carne que continue fazendo seu churrasquinho.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009


A Família Rola-bosta

Lindinhos e lindinhas visitantes, o anúncio de hoje mostra uma flagrante derrapada criativa cometida por uma agência que detém uma conta de considerável monta, a Ortopé. No anúncio, a Ortopé faz uma homenagem às crianças chamando-as de "especialistas em felicidade" por sempre nos lembrarem que "todos os momentos são perfeitos pra ser muito mais feliz."  Uiaaa! Que original! Gênio! Tocante! O texto é uma vacuidade só. Substância zero. As linhas parecem extraídas de um livro barato de auto-ajuda ou daqueles calendários patrocinados por verdurarias que trazem fotos fofas de cestas cheias de gatinhos. Eca! Bem, se o texto, apenas uma pilha de clichês açucarados sobre felicidade e crianças, revela um redator medroso o que dizer do diretor de arte? De que tipo de mente brota a imagem de um pai e filho caminhando sob chuva sobre uma esfera de grama com uma casa e uma palmeira ridiculamente distorcidas ao fundo? Tenho uma teoria. O diretor de arte da peça, em uma madrugada insone, buscava inspiração assistindo ao Discovery Channel quando deu com as fuças em um documentário sobre escaravelhos africanos "roladores de bosta". É sério, gente. Estes curiosos animaizinhos transformam excremento em pequenas esferas para depois, resolutamente, empurrá-las toca adentro e comê-las ou transformá-las em berços para suas larvas. Este movimento de rolar as esferas é que confere ao besouro o nome de "dung beetle" em inglês, "scarabée bousier" em francês e besouro do esterco ou rola-bosta em português.  Completamente encantado pelo besouro, o diretor de arte foi pra agência de manhã e adotou como destaque do layout a imensa bola de estrume onde pai e filho caminham. Ele inventou a família Rola-bosta! Gentem, desculpa, mas aquela bola de grama não parece feita de merda? Que parece, parece. E vamos combinar uma outra coisa? Executivo de gravata frouxa tomando chuva e rindo é um tremendo chavão visual pra simbolizar liberdade, rebeldia e desprendimento. E mais: além de batida a imagem do pateta de gravata rindo na chuva é falaciosa. Alguém aí já testemunhou alguém fazendo uma merda dessas na rua ou no parque? Tomar chuva é quase sempre uma experiência opressora, estressante, desagradável e humilhante. Sorry, guys. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2009



BEM VINDO A MATO GROSSO, TERRA DE CAPANGAS!


Puxem um banquinho. Isso promete ser interessante. O anúncio acima leva a assinatura de uma tal FAMATO, Federação que protege os interesses dos agricultores Matogrossenses. O layout, que bem poderia ter sido feito por um macaco bonobo razoavelmente bem intencionado de posse de um PC, não compromete. Mas direção de arte, propriamente dita, ali não existe, né? A parte picaresca é o texto. Pra começar, o redator despeja algumas idéias meio desordenadas no papel acerca da riquezas da vida silvestre do Estado. Diz que lá em MS existem "onças, jacarés e muito mais. Não nas ruas mas na Floresta Amazônica..."  Embora seja difícil crer que um Estado com altíssimos índices de desmatamento ainda possa ter tantos animais assim fico tranquila em saber que não vou ser devorada no meio da rua a caminho do Hotel. Na sequência, o desequilibrado escriba regurgita mais dados sobre a pujança agrícola do Estado na produção de etanol, soja, etc. Nossa! Onde estaríamos sem o Mato Grosso, minha gente? No arremate do texto é que vem a parte inacreditável: Aqui não é terra de capangas. É terra de um povo alegre, solidário, trabalhador e hospitaleiro, que está pronto pra mostrar este paraíso. Que piada absurda é esta? É justamente o contrário. Caros e caras, graças a "invisibilidade" do Estado em vastas áreas do país, a incompetência do sistema judiciário e à impunidade crônica, somos sim uma imensa terra de ninguém gerida por capangas há séculos. Mato Grosso não constitui exceção. Pra início de conversa o Governador de MS, maior produtor de soja do Brasil e desmatador inveterado, é autor de frases como "não se faz agricultura sem retirar a floresta" e vive às turras com ambientalistas. Você acha que um sujeito desses não é um senhor jagunço? Carlos Minc, Ministro do meio Ambiente, disse que, se pudesse, Maggi plantaria soja até nos Andes. Brincadeira... E, convenhamos, não é? O calor absolutamente infernal e a fumaça irritante das constantes queimadas não tornam Mato Grosso exatamente um paraíso como apregoa estupidamente o anúncio. Fica pra próxima galera. Reencarnação.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009



Hitler não cometeu suicídio em Berlim. 
Está vivinho da silva e graças ao Viagra virou pegador.

Embora o desmiolado presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad viva, para horror da comunidade internacional, negando a ocorrência do Holocausto - massacre de mais 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, o que me espanta ainda mais é a presença perturbadora do grande mentor desta matança, Adolf Hitler, em alguns trabalhos publicitários pelo mundo. Pra se utiilizar a imagem do Führer em uma campanha publicitária é preciso ter certo cuidado e responsabilidade. O memorável filme ( www.youtube.com/watch?v=Wr6CNeC1eRU ) criado por Washington Olivetto, ex-enfant terrible da propaganda tupiniquim, para a folha de São Paulo é um belo exemplo da utilização de Hitler de forma pertinente e adequada. Já esta peça alemã de uma campanha contra a AIDS vai na direção oposta. O título bombástico  "A AIDS é um assassino em massa." está estampado sobre uma foto que mostra o ditador alemão encarando a câmera enquanto faz sexo com uma modelo. Tudo bem que a AIDS continua matando loucamente pelo mundo afora mas comparar o número de mortos pela doença com o número de vítimas do regime nazista é, na verdade, mera muleta pra estampar o ditador no anúncio e chamar a atenção. Mas o propósito da peça não era esse? Dirão alguns. Gente, não é chatice e muito menos TPM, mas chamar a atenção com Hitler é fácil demais por conta do enorme "porte emocional" do personagem. Olhar pra esse senhor detestável já é constrangedor em qualquer situação mas vê-lo meio peladão, suado, com a cara meio enrugada trepando com uma mulher é simplesmente insuportável. Repugnante demais, indigerível. Pelo menos em Propaganda, Hitler merece ser relegado à sombra. Seu rosto evoca tanto horror e violência que não vale a pena. E, vamos combinar uma coisa? Sei que não tem nada a ver mas o excêntrico ditador era tudo menos alguém ligado a sexo. Era cheio de manias, vegetariano, idolatrava sua cadela pastor alemão Blondi e cultivava uma relação pra lá de esquisita com sua companheira Eva Braun. Napoleão Buonaparte, maluco da mesma cepa de Hitler, era um tarado incorrigível e entre uma campanha e outra adorava fornicar. Chegava inclusive a instruir sua favorita a não se lavar antes do sexo pois se dizia encantado pelo cheiro natural do corpo de sua amante. Hitler, ao contrário, preferia invadir a Polônia a dar uma bela trepada. Invadir a Tchecoslováquia a receber um boquetinho. Vai entender.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

OSAMA BIN LADEN é o novo diretor de criação da DM9 São Paulo!

Justamente ao completar 20 anos de existência a premiada e respeitadíssima agência DM9 DDB envolveu-se em um imbróglio de dimensões globais, literalmente. O anúncio do WWF cujo pilar criativo é o 11 de setembro provocou uma onda de ira tão avassaladora em tão pouco tempo que a agência enfiou o rabo entre as pernas e teve que ir à imprensa dar explicações. Minto. Primeiro, o presidente da DM9, Sérgio "Valente?", covardemente negou tudo e disse desconhecer a peça. A chiadeira aumentou e a pressão acabou vergando Valente que assumiu a autoria da pérola. Tardios pedidos de desculpas foram emitidos mas a formidável lambança já estava consumada. Em meio a protestos generalizados, especialmente dos americanos, a própria WWF veio a público engrossar o coro dos ofendidos dizendo que nunca vira o anúncio e que jamais teria permitido sua veiculação. A peça, de um mau gosto de doer, mostra um enxame de boeings prestes a se chocar com a cidade de Nova Iorque em uma visão cem vezes mais apocalíptica do que foi o sangrento 11 de setembro. O anúncio diz que o tsunami ocorrido na Ásia matou bem mais gente do que o ataque terrorista às torres gêmeas e por isso exorta as pessoas a se preocuparem mais com o meio-ambiente. Amiguinhos publicitários paulistas, jamais passou pela  "cabeçinha" de vocês que o 11 de setembro assim como o ataque japonês à Pearl Harbor em 1941, constitui um trauma idelével para os norte-americanos? Além do teor ofensivo o anúncio ainda encerra um erro conceitual que é o de associar o Tsunami a um desequilíbrio natural causado pelo homem. Isso é uma inverdade. Tsunamis, à exemplo de terremotos e erupções vulcânicas, são fenômenos da natureza. Ou seja: o 11 de setembro não tem absolutamente nada a ver com o maremoto na Ásia que não tem ligação alguma com o desrespeito ao planeta. E pra finalizar: acho que o Bin laden não está escondido em nenhuma caverna suja no Afeganistão como supõem os EUA. Ele está trabalhando feliz da vida como diretor de criação da DM9. É isso. Matei a charada.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Incompetência. Uma hóspede do barulho.

"Não há bom raciocínio que pareça bom quando é muito longo." Esse precioso e atemporal conselho para redatores publicitários partiu de ninguém menos que o ilustre espanhol Miguel de Cervantes, séculos antes de inventarem a Propaganda como a conhecemos. Salvo alguns casos específicos, redatores precisam construir mensagens concisas e objetivas que passem o recado de forma rápida. Pois bem, nesse anúncio do moribundo hotel Maksoud Plaza em São Paulo, o redator, aparentemente em um forte transe provocado por potentes drogas alucinógenas, manda Cervantes à merda e redige um das mais longas, confusas e ridículas linhas da Propaganda nacional. O texto é um jorro de raiva e ressentimento "contra a insidiosa invasão do mercado por imenso número de pseudo-hotéis (os flats)". Em um tom que mais lembra uma passagem bíblica o redator diz que o Maksoud "como na proverbial caravana, segue firme seu caminho, ostentando altivo suas 5 estrelas apesar dos cães que ladram e das flechas venenosas no seu trajeto."  Deus Pai! Mas que cazzo isso significa? Cães que ladram e flechas venenosas? Isso parece a fala de um pastor vagabundo que prega sobre caixotes de maçã na rodoviária. Ou a fala de um Antônio Conselheiro. Mais adiante o maluco tenta atrair possíveis hóspedes dizendo que o hotel se situa na "parte mais alta e nobre da cidade, livre de enchentes e de mosquitos, afastado de cursos d'água poluídos...". Sabemos que São Paulo está longe de ser um paraíso mas que ser humano em sã consciência iria pra cidade depois dessa descrição apocalíptica ? Caros e caras, não é com um discurso deste calibre que o já decadente Maksoud vai reverter sua situação delicada no mercado. A peça só deixa transparecer o enorme desespero que acomete a direção do hotel na busca de soluções para o combalido estabelecimento. Sejamos realistas. O Maksoud foi durante anos um dos melhores hotéis da cidade. O tempo passou. Novos e modernos hotéis se instalaram e os hóspedes começaram a rarear. Sem nunca ter investido em Comunicação decente e nunca ter passado por grandes reformas o velho hotel parou no tempo e não consegue mais reagir. Deveria passar por uma repaginação total e se reposicionar no mercado. Se continuar nesse estado de indigência publicitária o Hotel vai ter que repensar sua vocação. Que tal virar um estacionamento? Ou um puteiro??


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sílvio Santos vem aí!!! E já vai tarde...

Gentes!!!! Após uma síncope de tanto rir, finalmente consegui recobrar a respiração e encarar com mais calma a obra-prima diante de mim. Este anúncio do SBT assinado por uma agência de considerável musculatura criativa de São Paulo machuca cruelmente os olhos até de quem não entende "lhufas" de Propaganda. O título "SBT. A TV mais feliz do Brasil." é muuuuuuuito capenga. É algo ( isso nem chega a ser um título pela minha definição ) completamente invertebrado.  E o que exatamente os publicitários quiseram dizer com "feliz"? Feliz como? Felicidade agora é sinônimo de breguice, despreparo, improviso, riso fácil, apelação, amadorismo e baixaria? Ah! Tá bom. Entendi. Alguém aí pode me dizer o nome de algum programa minimamente decente do SBT ou de outra rede focado em telespectadores com QI acima de 12? Pois é. E o layout, essa montagem abjeta? Essa "colagem" absolutamente bizarra parece saída de uma aula de artes para crianças. Mas, caros e caras, esta intragável montagem de cabeças enormes sobre troncos diminutos não é fruto dos desvarios de um moleque de 5 anos armado com um prosaico tubinho de cola e tesouras. "Isto" foi feito em uma agência de propaganda profissional por alguém relativamente bem pago. Não é espantosamente ruim? Ou eu não entendi a "linguagem visual" escolhida? Muitos dirão que os estranhos seres com hidrocefalia são um recurso muito em voga atualmente, meio "childish" ou naïf e que eu sou muito careta pra digerir a história toda. Dane-se. O anúncio chega a dar pena. Só mais uma coisinha. Acho muuuuuuuito difícil engolir essa proclamada felicidade do SBT. É público e notório que aquela múmia acaju chamada Silvio Santos sente prazer em tratar mal e humilhar seus funcionários. É um tipo grosseiro, irascível e instável emocionalmente. Mas, gente, o que se pode esperar de alguém que vive com aquele microfone horroroso grudado no pescoço há décadas e que lambuza a cabeça com tonéis de tintura acaju periodicamente?